RioMarket: educação e audiovisual são tema de bate-papo na Casa Firjan
O papel do audiovisual como ferramenta para educação e a profissionalização do setor foram temas de mais um dos vários encontros do Rio Market, na Casa Firjan. Representantes de várias instituições, entre elas a Firjan, conversaram sobre a importância da formação para essa indústria e propuseram reflexões sobre a contribuição do audiovisual para inovar e estimular a educação no Brasil, no dia 08/11.
Área de negócios do Festival do Rio, o RioMarket, realizado este ano na Casa Firjan (05 a 10/11), se destina à troca de conhecimento entre profissionais e empresas do setor audiovisual. O Festival, em sua 20ª edição, é considerado um dos mais importantes eventos cinematográficos do mundo.
De acordo com Fernando Rezende, coordenador de Educação da Firjan SENAI, em 2010 o Mapa do Desenvolvimento revelou a carência de profissionais qualificados para a indústria audiovisual, apontando a demanda por cursos especializados. No mesmo ano, durante o Festival do Rio, a Firjan SENAI SESI, a Secretaria Estadual de Cultura, a RioFilme e os sindicatos Stic e Sicav firmaram acordo de cooperação técnica para a criação de cursos de formação e capacitação de mão de obra para o setor, e, há cinco anos, surgiu a única escola da rede com todo portfólio voltado para o audiovisual.
“A escola Firjan SENAI Laranjeiras não nasceu com essa vocação, mas a partir do Mapa do Desenvolvimento vimos que o Rio, assim como o Brasil, precisava de mão de obra capacitada. Então, mudamos o portfólio, criamos laboratórios e desenvolvemos um ensino baseado em competências, unindo teoria e prática, com situações desafiadoras para formar profissionais de acordo com a necessidade do mercado. Mantemos um banco de dados em que as empresas, como produtoras, alimentam com demandas e situações reais para aplicarmos em sala de aula”, explicou Rezende.
O desafio é grande. “Vivemos numa sociedade audiovisual e o letramento no setor é um desafio, porque os alunos hoje já filmam e fotografam. Eles já chegam com conhecimento de ferramentas, mas precisam conhecer a linguagem”, disse Pedro Curi, coordenador de Cinema e Audiovisual da ESPM-RJ. Curi destacou também a necessidade de pensar em toda cadeia produtiva do setor, que é o objetivo da pós-graduação criada pela instituição. “É preciso ter um mercado menos informal e uma preocupação com a sua sustentabilidade”, comentou.
Audiovisual como ferramenta para educação
Para incentivar a educação nas escolas públicas, Sonia Rodrigues, roteirista e diretora de conteúdo, criou a plataforma de escrita colaborativa Almanaque da Rede. “O objetivo é estabelecer atividades criativas e colaborativas online entre alunos do Ensino Médio”, apresentou. O Almanaque da Rede propõe, através de jogos digitais, estimular a leitura e a escrita criativa. Filha do escritor Nelson Rodrigues, Sonia mostrou a diferença que a união do audiovisual com a educação pode fazer na vida dos estudantes. “Dos alunos que passaram pelo Almanaque, 72% estão em universidades públicas”, disse.
A forma de ensinar precisa acompanhar a transformação da sociedade, diante de uma nova geração que não consegue ficar quieta por muito tempo e está sempre conectada. “A imagem sempre foi aliada da educação, e essa nova pedagogia precisa ter um pensamento audiovisual, com mais afeto, interatividade e unindo experiências”, destacou André Scucato, analista Setorial da Firjan e moderador do evento: “A nova educação exige que os alunos se tornem protagonistas do seu próprio aprendizado e tenham autonomia para reconhecerem seus interesses, necessidades e, com o acompanhamento docente, desenvolverem a capacidade de tomarem atitudes e terem competência para o aprendizado”, finalizou.
Veja como foram os debates do Rio Market sobre o universo feminino no audiovisual e também sobre X-Reality e processo criativo no cinema.
Mercado em alerta
Na véspera, em 07/11, um evento no RioMarket marcou a apresentação ao mercado da nova diretoria do Sicav, que tomou posse no fim de outubro. Leonardo Edde, reeleito presidente, disse que “união” é a palavra-chave do momento. “Temos feito um trabalho junto às outras entidades do setor, unindo produtores, distribuidores, Firjan, Agência Nacional do Cinema (Ancine), pois o Rio precisa ajudar o Brasil a crescer”, declarou ele.
Presente ao encontro, Carlos Fernando Gross, vice-presidente da Firjan, pontuou a importância do segmento para a federação e para a sociedade. “A cultura é definitiva. Engrandece e melhora nossa qualidade de vida”. Segundo dados do Sicav, o Rio é responsável por aproximadamente 70% da produção nacional de filmes.
Fonte: Firjan